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Luis Ferreira é o coordenador-geral do futebol de formação do Infesta.

Filipe Dias: Regressaste ao Infesta, há cerca de quatro anos, com o projecto dos veteranos, a que se deveu esta ascensão há duas temporadas, a coordenador do futebol de formação?

Luís Ferreira: Penso que se deveu ao trabalho que fiz como treinador e às qualidades que penso que viram em mim por parte da Comissão Administrativa, fui treinador dos sub-11 aos sub-13, nas épocas em que fui treinador os objectivos foram todos cumpridos, e penso que foi um trabalho bom e agradável. Para além de gostar muito do Infesta, demonstrei vontade em ajudar o clube e a engrandecer ainda mais o bom nome que este clube já tem com a criação do torneio de Páscoa e outros eventos.

Filipe Dias: Que diferenças notas do teu primeiro ano como coordenador para o actual?

Luís Ferreira: Este é o segundo ano como coordenador, mas acaba por ser o primeiro, porque o ano passado, na temporada 2014/2015, fui convidado para ser o coordenador técnico, mas que de técnico tive pouco, ou seja, o Infesta necessitava de alguém que fosse coordenador, mas um coordenador de forma geral, desde a organização dos treinos, em termos de espaço físico, desde a planificação semanal de treinos, a organização do staff médico e directivo, etc… e eu no fundo, para alem da parte técnica que infelizmente não consigo estar a 100%, faço de tudo o resto. O ano passado, fui convidado para ser o treinador dos sub-13, que como sabes, foi uma equipa que à ultima da hora, foi convidada para ocupar uma vaga na 1ª Divisão Distrital, a equipa estava preparada para disputar a 2ª Divisão, e prova disso foram as cinco derrotas “copiosas” que sofremos nos primeiros cinco jogos, e a partir daí, tive de me esmerar mais com os trabalhos da equipa, pois era importante a manutenção na 1ª Divisão, deixando para segundo plano os trabalhos como coordenador, o que foi importante, pois os objectivos foram amplamente concretizados com a manutenção com mais dezassete pontos acima da linha de despromoção, as vitorias na Prova Extra e no nosso Torneio de Páscoa. Relativamente ao trabalho de coordenador, destaco a “união” que foi criada entre todos os que estão envolvidos nas equipas de formação, pois uma das coisas que reparei, é que muitos dos directores e treinadores, de todos os escalões, não se conheciam e isso eu consegui resolver com reuniões mensais e outros convívios. Este ano passei também a pertencer à Comissão Administrativa do Infesta, onde comecei a entender melhor os “meandros” do clube e infelizmente, reparo que a situação financeira, embora seja estável, não é boa em termos de receitas e eu, juntamente com outos elementos, temos tentado “angariar” essas receitas com a criação de eventos, etc… e essencialmente para que o Infesta saía a ganhar.

Filipe Dias: Como fazes a ligação entre os seniores e a formação?

Luís Ferreira: É uma ligação fácil, pois, devido às carências financeiras que o clube tem, tivemos de nos fazer valer de alguns juniores para a equipa sénior e prova disso, têm a treinar neste momento, cinco atletas juniores que entendemos terem a qualidade suficiente para um dia serem seniores. O Jorginho ser o treinador dos seniores e o seu adjunto, Cauan, ser o treinador dos juniores, também ajuda a haver essa interligação. O “modus operandi” de ambos é idêntico o que faz valer que os juniores, quando chegarem ao patamar sénior do Infesta, não terão grandes dificuldades de adaptação.

Filipe Dias: Uma das grandes novidades este ano é o facto de existirem duas equipas por escalão, que vantagens trás esta nova ideia?

Luís Ferreira: Tem a haver com os objectivos que traçamos para a equipa de juniores, juvenis e iniciados, que é subir as três equipas à 1ª Divisão e para isso, criamos uma segunda equipa, uma equipa B, para preparar como suporte para a temporada seguinte, que esperemos, as três equipas estejam no patamar mais alto da associação. Relativamente aos benjamins e infantis, nos benjamins, criamos uma equipa de sub-10, com meninos que vêm da Academia do Infesta, bem trabalhados na época passada por quem lá estava e achamos por bem, coloca-los na competição, para o bem deles e do futuro do clube. Os sub-11 estão a ser preparados para o escalão de infantis e os sub-12, onde temos o professor António Silva, como treinador, penso ser a pessoa indicada para fazer a transição do futebol de sete para o futebol de onze.

Filipe Dias: Porque não adoptaram equipas de futebol de nove nesses escalões?

Luís Ferreira: Porque houve poucas equipas que se inscreveram nesse campeonato, o que passava a ser uma competição pouco atrativa e desinteressante e assim, preferimos trabalhar bem no futebol de sete (sub-10, sub-11 e sub-12), para fazer uma boa transição para o futebol de onze, nos sub-13.

Filipe Dias: Que objectivos têm as equipas esta temporada?

Luís Ferreira: Como já referi, os sub-10 e sub-11, são equipas onde no fundo estamos a ensinar e a formar os meninos a jogar como equipa, a ter a noção do que é o futebol, pois são meninos dos 7 até aos 10 anos, nos sub-12, para além da formação e da transição para o futebol de onze, já têm outro tipo de trabalho, pois a maior parte deles já estão a competir há pelo menos quatro anos. Os sub-13 têm como objectivo a manutenção na 1ª Divisão e depois, os sub-15, sub-17 e sub-19, estão a lutar pela subida. Temos a perfeita noção que não é fácil, pois cada vez se trabalha melhor na formação nos outros clubes, mas se pelo menos dois ou três desses quatro objectivos, forem alcançados, já será muito bom.

Filipe Dias: Dessas equipas, existe alguma que te esteja a “encher o olho”?

Luís Ferreira: Ainda é uma fase inicial da época, em que todos os objectivos estão perfeitamente ao alcance de todos, os sub-15 e os sub-17 estão melhor e têm a presença na fase final quase assegurada, os sub-19 estão a ter a vida um pouco mais complicada mas com o objectivo ainda dentro do seu alcance. No global, estamos todos contentes com o trabalho desenvolvido e isso tem-se visto nos resultados, que são muito melhores que nos da temporada anterior.

Filipe Dias: Tenho também reparado que há atletas da equipa sénior a trabalhar nos escalões mais novos, como foi feita a formação das equipas técnicas?

Luís Ferreira: Uma das minhas “conquistas” deste ano, foi através da FADEUP com o professor José Guilherme, onde, por via das dificuldades financeiras do clube, não temos verba para pagar salários aos adjuntos dos treinadores principais das equipas, mas a opção por ter estagiários como adjuntos, não foi só feita pela vertente financeira, mas também pela qualidade, porque se nós tivermos um grupo de 23, 24 atletas, um treinador só, não chega para treinar miúdos destas idades, porque eles distraem-se com facilidade e por isso, optamos por ter mais que um treinador por equipa porque achamos que é melhor para conseguirmos desenvolver o trabalho com outra qualidade. Para além dos oito estagiários da FADEUP, temos também o Teixeira e o Rui Ferreira, que são atletas seniores e que estão ligados à área do desporto e que também ajudam a transmitir aos miúdos, o que é o espirito e a mística do clube.

Filipe Dias: A realização destes torneios que se têm realizado na Páscoa e com a novidade este ano do torneio de Natal, também ajuda a transmitir esse espirito e a mística do Infesta?

Luís Ferreira: Sim, eu para além de coordenar os dez escalões que temos na formação, também tento organizar eventos que para ajudam financeiramente o clube, mas também ajudam todo este staff, desde jogadores, treinadores, directores, etc…, a serem uma só família. O Infesta para além do futebol, tem andebol e voleibol e nesse sentido, juntamente com uma pessoa amiga que é psicóloga, que é a Dr.ª Iolanda Barros, conseguimos organizar uma palestra para o próximo dia 7, para nos ajudar sobre a psicologia no desporto, a entreajuda entre atletas e restante staff técnico, etc… Para além disso, iremos organizar um jantar de Natal do futebol de formação, pelo segundo ano consecutivo, antes de ser o coordenador geral, cada escalão fazia o “seu” jantar de Natal mas penso que para existir uma maior união entre todos e para ajudar a conhecerem-se todos e não só os do seu escalão, organizou-se um jantar onde será, como na temporada passada, uma noite de grande confraternização entre todos e que mais tarde, irão recordar com carinho. Por fim, durante os dias 26 e 27 de Dezembro, iremos organizar o primeiro torneio de Natal, que tem como patrono o Sr. José Catalão que é uma pessoa ligada ao Infesta há muitos anos e que tivemos todo o gosto em o convidar. Este evento que destina-se aos escalões desde os sub-10 aos sub-13, terá a presença das academias do FC Porto, Benfica e Sporting, bem como as equipas do Salgueiros e do Leça do Balio, para além naturalmente do Infesta.

Filipe Dias: Como vês o trabalho que a Comissão Administrativa do clube tem desenvolvido?

Luís Ferreira: Agora que estou “dentro” da parte directiva do clube, apercebo-me que realmente, quem faz parte deste grupo deve ser considerado uns heróis, porque as dificuldades são tantas que as pessoas que estão de fora, não têm a noção pelas dificuldades que nós passamos. Queria desde já pedir aos sócios, simpatizantes e amigos do Infesta, que nos ajudem, porque para além do trabalho todo que fazemos com cerca de 250 miúdos, mais 50 a 60 pessoas de staff, só no futebol, é uma carga muito grande em termos financeiros e as coisas só se conseguem a muito custo, com uma “ginástica” muito grande, porque as pessoas que cá andam, gostam do Infesta, porque senão já tinham abandonado isto.

Filipe Dias: Vês um futuro risonho para o Infesta?

Luís Ferreira: Eu tenho essa esperança, mas sei que vai ser muito difícil. Vamos lutar para que isso aconteça.

Filipe Dias: E desejos para o futuro? O que achas que o Infesta precisa para dar o “salto”?

Luís Ferreira: Gostava que o Infesta tivesse aquilo que todos nós queremos, que é as novas instalações, prometidas há já não sei quantos anos. Vamos ver se se concretizam as novas instalações, no Estádio Moreira Marques, claro que não depende só de nós, depende de muitos outros factores e estamos à espera que isso aconteça. Relativamente a este ano, quero que tudo corra dentro do planeado em todas as modalidades do clube, que as principais equipas, consigam os objectivos traçados e que no que a mim me diz respeito, naturalmente gostava que os objectivos das principais equipas fossem cumpridos e vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para o conseguir.

Filipe Dias: Uma mensagem para os infestistas…

Luís Ferreira: Que nos apoiem, porque vai valer a pena ajudar-nos, porque se nós conseguimos levar o Infesta a “bom porto”, daqui a dois ou três anos, a história vai ser parecida com aquilo que já foi. O Infesta é um clube com muitos pergaminhos no futebol, um clube mítico no Porto e aquilo que precisamos, é que nos ajudem, jogo a jogo, que nos apoiem nas bancadas. Aproveito também para desejar que toda a comunidade infestista tenha umas boas festas.

Categories: Entrevistas

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