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30 de Março de 2017

O Infesta é pródigo em questões de “longevidade”, foi com o presidente Manuel Ramos (39 anos, um recorde mundial), Augusto Mata (29 temporadas, outro recorde) e jogadores como Carlitos, Sérgio, Moura, Bruno, Pedro Nuno, Corina, Miguel, Alfredo, Reis, entre muitos outros e agora prepara-se para receber mais um nome, o actual capitão de equipa, Victor Peixoto, mas conhecido no mundo futebolístico por Vitinha.

Na próxima segunda feira, dia 3 de Abril, o capitão do Infesta entra na idade dos “enta”, pois fará 40 anos, os últimos 15 passados no FC Infesta. Já jogou na 1ª Liga ao lado de nomes como Deco, quando passaram ambos pelo Salgueiros mas não teve a mesma sorte do “astro” luso-brasileiro.

Filipe Dias (FD): Ainda te lembras de como foi a vinda para o Infesta?

Vitinha (V): Foi por intermédio do Sr. Serafim, que já me conhecia do Salgueiros, estava a jogar no Rio Tinto, e tudo se processou rápido pois sabia que era um clube serio e por isso aceitei o convite.

FD: Mas antes de assinares pelo Infesta, jogaste noutros clubes, quais foram?

V: Fiz a formação no Porto, depois nos juvenis fui para o Bairro de Falcão, dali fui para o Candal onde iniciei a carreira nos seniores, depois Avintes, entretanto surgiu o Salgueiros que estava na primeira liga só que fui emprestado ao Desportivo das Aves e depois também fui emprestado ao Fafe. Depois voltei ao Avintes, Rio Tinto e surgiu o convite do Infesta e estou aqui desde 2002.

FD: Desde que estás no Infesta, concerteza surgiram algumas propostas… porque nunca saíste daqui?

V: Sim, tive algumas propostas, mas o Infesta sempre foi um clube sério que pagou sempre a tempo e horas e que desde o inicio percebi que era um clube que tinha a particularidade de unir os jogadores de forma a que parecesse uma verdadeira família. Por vezes, para chegar a acordo bastava um olhar que o acordo estava consumado.

Joaquim Sousa (JS): Concerteza o Vitinha gostaria de ter dado o salto…

V: Eu senti-me sempre bem aqui, agora tenho é uma mágoa com o clube porque ao dinheiro que investiu durante todos estes anos, podia ter tido outra ambição a nível futebolístico porque tinha estrutura para conseguir subir à 2ª Liga e ficar por lá durante muitos anos.

FD: Qual a tua explicação para não teres conseguido singrar no futebol profissional?

V: No futebol, hoje em dia, devido às dificuldades financeiras, os clubes apostam mais nos jovens jogadores que saem dos campeonatos nacionais e das distritais, era impensável há 15 anos atrás, o Pedro Tiba por exemplo sair do Tirsense que estava na 2ª divisão e ir logo para a 1ª Liga e até à selecção. Antigamente, havia mais dinheiro nos clubes e derivado também aos empresários, apostavam mais nos jogadores brasileiros que a maior parte das vezes não tinham nem de perto, a qualidade que os jogadores portugueses tinham e esse foi talvez um dos factores para eu não ter conseguido singrar no futebol profissional.

FD: Há sensivelmente cinco anos, tinhas acabado de fazer 35 anos e perguntei-te se ainda ias continuar a jogar, na época seguinte e respondeste-me que enquanto as pernas ajudarem, continuavas… agora com 40, as pernas ainda te ajudam (risos)?

V: Para já têm deixado (risos), sinto-me bem fisicamente, é óbvio que a frescura física não é a mesma de há 15 anos atrás, mas enquanto me sentir útil ao clube, posso perfeitamente continuar. Agora também depende da vontade do clube e do treinador.

FD: O André tem sido o capitão quando não podes dar o contributo à equipa, é o jogador ideal para usar a braçadeira no teu lugar?

V: Sim, o André é um miúdo novo que gosta muito do clube e isso é muito importante. Tem lacunas que tem que melhorar que é perfeitamente normal, como eu as tive quando era novo, mas sim, a classe e a vivencia que ele sente com o clube, faz dele a pessoa indicada para ser o próximo capitão de equipa.

JS: Nestes anos todos, o Vitinha teve vários colegas de equipa, vários planteis, qual foi aquele que mais o marcou?

V: Posso dizer que o actual plantel é um dos melhores com quem trabalhei. Eu por vezes falo com eles sobre outros planteis com o Pedro Nuno, Corina, entre outros, com quem joguei muitos anos e digo-lhes que este não fica nada, mas mesmo nada atrás desses que estiveram muitos anos na 2ª Divisão Nacional. Há muita qualidade na actual equipa do Infesta.

JS: E treinadores?

V: No Infesta tive cinco treinadores, com o Mata estive apenas um ano, depois o Manuel António com quem gostei de trabalhar. O professor Zé Manel é um treinador fantástico, o Formoso é uma excelente pessoa, mas o Jorginho surpreendeu-me muito pela positiva, tem o dom da palavra e consegue em poucas palavras dizer tudo o que um jogador precisa de ouvir e é isso que tem feito com que nós tenhamos feito um campeonato até agora espetacular. Ele já esteve também do lado de lá e sabe espremer tudo o que há de bom num jogador. É um treinador dedicado, trabalhador, boa pessoa e tenho a certeza que vai conseguir singrar no futebol porque tem muita qualidade e merece acima de tudo.

Com 439 partidas disputadas e mais de 80 golos ao serviço do Infesta, Vitinha pode este ano atingir os 450 jogos caso o Infesta chegue à final da taça da AF Porto e dispute o playoff de acesso à subida de divisão. Pelo menos uma coisa é certa, já entrou na história do clube. Parabéns Vitinha!

Filipe Dias | Joaquim Sousa

Categories: Entrevistas, Ultimas

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