Entrevistas: Cesário Pacheco

Cesário Pacheco representa o Infesta à 19 anos.

Cesário é guarda-redes da equipa sénior de andebol, mas acumula o cargo de treinador da equipa de juvenis femininos. Foi por duas vezes campeão nacional como jogador e também como treinador.

Filipe Dias (FD): Como surgiu a hipótese de representares o Infesta?

Cesário Pacheco (CP): Foi através de uns amigos, que andavam comigo na escola e que me convidaram se eu queria experimentar e assim foi. Nenhum deles joga actualmente e apenas um, da minha geração que ainda joga actualmente no Infesta, é o Sérgio Soares. Depois há ainda o Emanuel, que é um pouco mais velho.

FD: Neste teu percurso, o que ganhas-te a praticar esta modalidade?

CP: Ganhei muito acima de tudo como pessoa. Dou mais valor aquilo que conquistei como pessoa do que aos troféus que são importantes claro, mas como pessoa cresci bastante e é dai que retiro todo o valor que tenho neste momento deste desporto e claro do clube.

FD: Há algum atleta neste momento, com quem tenhas partilhado o balneário durante a tua carreira, que esteja no “TOP” do andebol nacional?

CP: Sim, por exemplo o Ricardo Moreira que está no FC Porto, o Hugo Rocha do ABC ou o Ferra que é guarda-redes do Madeira SAD.

FD: A nível de troféus, o que conquistas-te enquanto jogador no Infesta?

CP: Como jogador, destaco a conquista do Campeonato Nacional da 2ª Divisão de juniores (2002/03) e o Campeonato Nacional da 3ª Divisão de seniores (2010/11).

FD: E a hipótese de ser treinador, como é que surgiu?

CP: Foi quando tinha 17 anos, comecei a treinar os guarda-redes dos infantis na altura, depois sai do Infesta como treinador e estive cinco anos no Salgueiros, mas mantive-me cá como atleta. Depois passei pelo Maia Stars onde fui Campeão Nacional da 1ª Divisão duas vezes, nos escalões de iniciados e juvenis femininos e regressei ao Infesta, onde treinei infantis e iniciados, tendo alcançado um sexto lugar, um décimo segundo, ambos os anos nos campeonatos nacionais e por fim, a passagem à segunda fase que era o nosso objectivo. Depois surgiu o convite para iniciar o projecto do andebol feminino.

FD: E como é que surgiu este projecto?

CP: Foi um grupo de meninas que estava sempre a pedir ao clube para formarem uma equipa feminina, algumas por serem amigas de atletas, outras eram familiares, o clube acedeu ao pedido e convidou-me para dar início a este projecto.

FD: Na tua opinião, o que achas que se pode ganhar com este projecto?

CP: A nível de atletas, havia muitas que gostavam de praticar desporto e o único sítio onde podiam praticar, era no voleibol da Académica de S.Mamede. No ano passado, tínhamos cerca de 50 atletas inscritas em todos os escalões, mas decidimos fazer apenas duas equipas, as seniores e iniciadas. Elas ficaram a ganhar pois passaram a ter mais uma modalidade para praticar e eu adoro vê-las a crescer. E crescem bastante pois a maior parte destas atletas são iniciadas e como estão a competir num escalão superior, defrontam equipas mais velhas que têm outras ambições, têm mais anos de andebol e outro traquejo que estas ainda estão a aprender pois só vão no segundo ano de formação. E este ano tivemos resultados excelentes ao ponto de não nos termos classificados para a fase final do campeonato nacional pelo facto de termos ficado igualados no terceiro lugar com os mesmos pontos da equipa que nos derrotou na última jornada.

FD: Achas que há alguma destas atletas que pode chegar longe?

CP: Acho que há duas ou três que podem lá chegar, sem dúvida alguma. Felizmente o andebol feminino, está bem implementado em Portugal mas há poucas a praticar com regularidade. Há menos atletas, menos equipas e aquilo que há, sendo aproveitado ao máximo pode ser mais aproveitado que no andebol masculino. Mas penso que numa detecção de talentos, tenho aqui jovens que podem no futuro chegar a uma selecção nacional.

FD: Relativamente aos seniores, apesar de todas as dificuldades que o clube está a atravessar, achas que vamos conseguir a manutenção?

CP: Eu penso que sim, nós temos muita qualidade para isso e então com os miúdos que vêm da formação e que têm treinado connosco, temos muitas hipóteses. Auguro um bom futuro para o Infesta e prevejo que vamos terminar este campeonato mais ou menos a meio da tabela como estamos neste momento.

FD: Saindo um pouco da modalidade em si, o que diz o Infesta para ti?

CP: Para mim diz tudo, não foi à toa que assumi um projecto pioneiro aqui, sem nada na mão. Não é pelo dinheiro que ganho aqui, que é pouco, mas sim, pelo gosto na modalidade e acima de tudo pelo clube. Para mim, é aquilo que costumo dizer, o Infesta é a minha segunda família.

FD: Como tens visto todas estas mudanças no Infesta, desde a saída do falecido Sr. Ramos?

CP: Têm feito um trabalho excelente. Eu não estou lá dentro para saber detalhes mas sei o quão difícil é, gerir um clube como este, sem muitas verbas e ajudas. De momento e por aquilo que eu sei, tanto nos seniores como nas minhas atletas, não nos tem faltado, rigorosamente nada. Questões burucraticas, de pavilhão para jogar ou treinar, lanches, etc… nada nos falta.

FD: Queres deixar uma mensagem aos infestistas?

CP: Sim, que apoiem o clube tanto no futebol como no andebol e que quem cá está, que se dedique de alma e coração que é o que este clube precisa neste momento.

Filipe Dias

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