Entrevistas: José Fonseca

José Mendes Fonseca, é não só director no andebol do Infesta, como um dos elementos da actual Comissão Administrativa.

Embora não tanto como o futebol, o andebol também sofreu alguns cortes orçamentais com a saída do ex-presidente Manuel Ramos. José Fonseca, é um dos homens fortes do andebol, que vai conseguindo aguentar-se com os poucos recursos que gere, mas mesmo assim e sem condições, o Infesta consegue gerar grandes atletas na modalidade e vencer troféus importantes.

Como é gerir o andebol do Infesta, depois desta grande mudança no orçamento do clube?

É complicado. Se mesmo com o apoio do Sr. Manuel Ramos (antigo presidente do Infesta), já era difícil, então sem esse apoio, ainda mais difícil ficou. Tudo agora tem de ser mais ponderado, mais acautelado, temos que ser muito rigorosos relativamente ao orçamento. Como comissão administrativa, o rigor orçamental é extremamente importante. Embora como referi atrás, com um orçamento mais rigoroso nós continuamos a ter os nossos objectivos e ambições no plano desportivo. Mas de certa forma, a parte económica do clube obriga a fazer algumas alterações.

Mas o andebol do Infesta, sofreu muitas alterações como o futebol por exemplo?

É óbvio que o futebol foi quem sofreu mais, principalmente com os seniores. No andebol, nós já tínhamos um orçamento limitado mas conseguimos acordos com alguns patrocinadores que foram conseguindo colmatar essa perda. É de referir que os nossos atletas seniores não têm subsídio, jogam como se diz na gíria desportiva “por amor à camisola”. Isso acontece há alguns anos. Daí, não sentimos tanto como nos seniores de futebol em que foram reduzidos substancialmente os subsídios. Mas eu posso dizer que neste momento, o grande patrocinador acabam por ser as cotas dos atletas e aí é que está a grande diferença porque de uma época para a outra, nós aumentamos as cotas aos escalões até aos juvenis e os juniores, que não pagavam cota, este ano já pagam, embora seja mais reduzida que as outras. E mesmo assim, para se chegar ao orçamento, reduzimos alguma coisa aos subsídios dos treinadores, fisioterapeutas e massagistas que embora não fosse muito, tudo somado deu alguma poupança para ficar dentro do orçamento mensal.

Como é que foi a organização do andebol com todo esse corte orçamental?

Foi difícil. Temos este ano menos um treinador relativamente às equipas que temos, o que obriga aos restantes treinadores, trabalharem mais apesar de receberem menos… Toda esta organização, que foi gerida pelo Paulo Guimarães que para além de ser treinador do andebol sénior, é coordenador de todo o andebol, teve que ser feita desta forma, mas o que interessa é que estamos todos em sintonia e todos percebem as dificuldades do clube neste momento.

Então com menos um treinador, como é que gerem os que tem, com as equipas?

Como disse atrás, esta situação será gerida pelo Paulo Guimarães, em que todos os treinadores ajudarão em todos os escalões de forma organizada para não prejudicar, como é óbvio, o bom desenrolar de todos os escalões durante a época para podermos chegar no andebol, aos nossos objectivos. Devo referir que no andebol feminino que para além das equipas seniores e juvenis, este ano vamos dar o primeiro passo nos minis deste escalão porque se queremos formar atletas, é por aí que temos de começar.

Este ano, o campeonato dos seniores tem mais equipas. Como viu estas mudanças e quais os reais objectivos do Infesta?

Os moldes são idênticos aos últimos anos, na primeira fase os três primeiros disputam a subida e os restantes, têm de escapar aos dois últimos lugares para não descerem. Vai ser uma temporada muito difícil, onde o nosso objectivo é claramente não descer, num campeonato muito competitivo, longo e onde há várias equipas candidatas á subida de divisão e a equipa “B” do FC Porto. Aliado a isso, nós nesta temporada temos um plantel mais reduzido. Vamos ter menos opções de atletas seniores, pois devido às carências económicas, a comissão administrativa decidiu inscrever apenas 16 elementos, ao contrário dos 21 do ano passado. Se forem necessárias opções, o Paulo Guimarães terá de recorrer à equipa de juniores.

E houve promoções de alguns atletas juniores a seniores?

Não, esta temporada não se promoveu nenhum júnior ao plantel principal, pelo simples facto da redução de elementos na equipa sénior. Aliás, até saíram cinco atletas dos seniores, embora nem todos tenham sido dispensados por nós. O Fernando Magalhães foi para a Académica de São Mamede, o Carlos Barroqueiro foi trabalhar para fora do país e o Bruno Pião pelo que sei, não vai continuar a praticar andebol federado e depois houve dois atletas que por terem sido menos utilizados na temporada passada, acabaram por sair.

E as restantes equipas, conseguiram apesar do aumento das cotas, manter os atletas?

Sim, à excepção da equipa de iniciados, rapazes que nasceram em 1999, à semelhança da temporada passada, temos tido alguma dificuldade em trazer novos jogadores. Mas já agora apraz-me dizer que apesar do aumento das cotas dos atletas, a grande parte deles, foram sensíveis às dificuldades do clube e ficaram e também já agora, aproveito esta oportunidade para mostrar o espirito que reina neste momento no clube em que o capitão da equipa sénior, o Pedro Ferreira, em nome de todo o grupo de trabalho, mostrou-se disponível para ajudar financeiramente, dentro das possibilidades deles, claro! Isso sensibiliza-nos muito, ainda para mais, atletas que não ganham nada e isso só demonstra que há da parte deles, uma grande sensibilidade aos problemas do Infesta e acaba por ser um exemplo muito grande para as camadas jovens. E isto só nos dá força para continuarmos a trabalhar mais para o bem-estar deles.

Este mês, vamos ter as eleições autárquicas. Já houve algum candidato que se tenha mostrado interessado em perceber os problemas do nosso clube e que nos tenha visitado, ou mais uma vez, o Infesta vai cair no rol do esquecimento?

Para já, ainda nenhum candidato veio visitar o Infesta, mas é provável que algum deles ainda possa vir cá, para eles verem e sentirem as dificuldades que nós temos neste momento. De facto, temos sido bastante esquecidos e neste momento, nem condições temos para albergar as nossas equipas condignamente.

E depois das eleições?

Depois destas eleições, nós, comissão administrativa, teremos que nos “mexer” e fazer com que o próximo Presidente da Camara de Matosinhos, ouça o Infesta porque temos sido muito prejudicados durante estes anos todos. O nosso pavilhão tem um piso que já ninguém utiliza, um piso de cimento, propenso a lesões, no inverno, chove dentro do pavilhão, muita humidade, os balneários estão bastante deteriorados, etc., mas claro que vamos tentando fazes uns retoques para dar alguma comodidade aos atletas, mas não é o suficiente.

Um novo pavilhão, como já foi prometido várias vezes, poderia ser um impulso grande para o clube crescer ainda mais nesta modalidade?

Sim, eu acho que com um pavilhão com condições, tínhamos muito a crescer. Repara, ainda na última temporada, vencemos mais um título regional de juvenis, isto para não falar na equipa “A” que compete na 1ª Divisão Nacional, os juniores morreram na praia na temporada passada na luta pela subida à 1ª Divisão e até mesmo os seniores, completamente amadores, estamos a competir na 2ª Divisão Nacional. E para o próprio desenvolvimento dos atletas era excelente, se nós com estas condições, formamos atletas a fazer estes “brilharetes”, imagina com um pavilhão novo.

Quer aproveitar para deixar uma mensagem aos infestistas?

Sim, aproveito desde já para que nesta hora de grande dificuldade que o clube atravessa, que apareçam, que nos apoiem e que se mantenham sempre unidos a este grande clube que já deu muito e continua a dar ao desporto nacional, não só no futebol mas também no andebol.

Filipe Dias

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