Entrevistas: Duarte Miranda

11 de Abril de 2012 Duarte, exibe com orgulho o troféu conquistado na temporada passada.   Duarte Miranda, é o treinador de guarda-redes dos seniores do FC Infesta, humilde, educado, sempre com um sorriso na face. Depois de um susto que teve, colocou um ponto final na carreira, mas o treinador José Manuel Ribeiro, deu-lhe uma oportunidade que Duarte nunca vai esquecer. A vida de um homem que é o actual guardião de um clube que não conhecia, mas que hoje, é o seu clube do coração. Como é que o Infesta surgiu na tua vida? O que pensas deste clube? Sou um daqueles verdadeiros adeptos do Infesta. Quando entrei no futebol, comecei num pequeno clube de Custoias, depois tive a sorte de dar o salto para o Boavista, onde fiz toda a minha formação e não conhecia o Infesta. Tinha a ideia que quando saísse do Boavista, ia para um clube melhor ou igual e quando vim parar ao Infesta, pensei que como ia jogar nos nacionais, era uma rampa de lançamento para outros voos e não um clube onde fosse ficar para sempre. Hoje digo-te que o que melhor me aconteceu em termos de futebol, nem foi a formação no Boavista, mas sim o ter vindo para o Infesta, porque se calhar hoje não conhecia as pessoas que conheço, como o professor José Ribeiro, o Nélson, os jogadores, o presidente Manuel Ramos, toda esta gente. Por isso digo-te que estou muito feliz por ter vindo para cá e posso mesmo dizer que o Infesta é o meu clube, o numero 1. Normalmente na formação, ninguém gosta de ir à baliza, como é que surgiu a hipótese de seres guarda-redes? Por acaso eu até nem era para ir para a baliza (risos). A primeira vez que tive contacto com futebol de onze já vai há muitos anos, penso que tinha 11 anos nessa altura e pedi ao meu pai para ir treinar ao Candal. No primeiro dia, fiz um grande treino e o treinador da altura pediu-me logo fotografias, bilhete de identidade e mais umas coisas para ficar no Candal. O engraçado nesta história é que no dia seguinte recebi um teste de matemática onde tirei negativa. O meu pai proibiu-me logo de ir ao treino, por isso resume-se essa primeira experiencia a um dia. Depois passados uns dois anos, jogava na Académica de Custoias (futsal) e fui às captações do FC Porto com uns amigos, sem ele saber. Não fiquei no Porto, mas com esses treinos, ganhei a projecção necessária para ir para o Boavista onde acabei por ficar. O meu pai não se opôs e fiquei por lá cinco anos. Como o meu pai tinha sido guarda-redes uns anos antes, eu também decidi ficar pela baliza. Tens alguma referência que te inspire na baliza? Tenho, o Vítor Baia… Desde que me lembro, desde miúdo que um guarda-redes que queria imitar era o Baia. Depois do Boavista, como foi o teu percurso? Eu estava no primeiro ano de júnior e o Boavista queria ficar comigo para o segundo ano só que eu como era o único guarda-redes de primeiro ano nessa equipa do Boavista, o falecido Professor Queiró não apostava muito em mim e eu, como nos outros anos tinha jogado com frequência, decidi sair e consegui colocação na Académica de Coimbra, só que tive lá uma semana e como queria estar perto dos pais, não aguentei e foi ai que surgiu o Infesta onde fiz o ultimo ano de júnior. Como surgiu a hipótese de ficares no plantel principal do Infesta? A equipa de juniores desse ano era excelente. Fui o único jogador totalista nessa temporada. Tinha-mos jogadores como o Ricardo Rocha, o Ricardo Gomes, etc… e o Augusto Mata aproveitou alguns de nós para a equipa principal e eu tive essa sorte de ser um deles. Depois de dois anos no Infesta, sais-te para o Moura… Como é que isso aconteceu? Durante esses dois anos, apesar de não ter jogado muito, foram dois anos espectaculares. Estava tapado pelo Bruno que para mim, foi o melhor guarda-redes do Infesta. É um grande amigo e gosto muito dele pois aprendi muito com ele tanto a nível de futebol como pessoal. E como estive praticamente dois anos sem jogar, decidi sair. Tinha na altura um empresário que também tenho uma história engraçada para contar. Depois de sair do Infesta, ele disse-me para fazer as malas pois ia para Setúbal. Foi de um dia para o outro, lembro-me de estar a fazer as malas e no dia a seguir estava a ir para Setúbal. Estivemos o dia todo por lá, para fazer o acordo e no dia a seguir, saiu a “bomba” de que o Vitória de Setúbal ficou com tudo penhorado, foram as contas, o estádio, etc… e eu logo ai, assim como outros jogadores que estavam por lá, fiquei sem clube. O meu empresário tentou procurar outro clube e para não ficar muito longe dele, encontrou o Moura, um clube onde tive uma boa experiencia, com pessoas excelentes, só que não dava para mim, estava longe de casa, as mentalidades eram diferentes, não havia compatibilidade e decidi vir embora. Regressaste ao norte, Padroense, Vilanovense e depois, Infesta outra vez… É verdade e no Vilanovense passei dos melhores anos desde que estou no futebol. Muita gente boa, tive um dos melhores treinadores, o Edmundo Duarte, que é uma pessoa extraordinária, uma pessoa excelente pois como ser humano, é do melhor que há e como treinador também tem muita qualidade. Depois é o regresso ao Infesta onde volto a reencontrar o Bruno, que também tinha regressado nesse ano. Foram mais dois anos a jogar pouco e que coincidiu com o inicio da fase má que culminou com a descida à 3ª Divisão Nacional. Eu como não sou uma pessoa de confrontos, de criar mau ambiente, etc… e já que não estava de acordo com muitas das coisas que se estavam a passar no clube, decidi sair. E não me arrependo

Academia de Futebol
Sérgio Marques