Entrevista: Miguel Fernandes

Hélder Romana, Rafael Bagatin, Miguel Fernandes, Cafú e Tininho, a equipa técnica do Infesta 2019/20 29 de Agosto de 2019 O novo treinador do Infesta, deu uma entrevista ao nosso site e deixou antever que o Infesta está preparado para atacar a manutenção na Divisão de Elite. Falou do seu passado enquanto jogador, quer chegar ao futebol profissional como treinador e tem como sua maior referencia, o mister Augusto Mata. No meio de muitas histórias, fica o essencial para dar a conhecer o timoneiro da equipa sénior de futebol do Infesta na temporada 2019/20. Filipe Dias (FD): Quem é o Miguel Fernandes e como começou a ligação ao futebol? Miguel Fernandes (MF): É uma pergunta curiosa, porque sendo eu filho de uma grande figura do futebol português (Mário João), não foi o meu pai o grande impulsionador para eu ter entrado no futebol. Terá sido uma inspiração, isso sim! O inicio da minha história no futebol envolve o Jaime Pacheco, na altura figura de proa do F. C. do Porto! Era aluno num colégio interno, em Campanhã, finais dos anos 70, inicio de 80, e fizemos um jogo de Natal no campo do Desportivo de Portugal, jogo esse apitado então pelo Jaime Pacheco. Recordo-me dele me ter abordado no final desse jogo, perguntando-me se eu não gostaria de jogar futebol “oficial”! Terá visto algumas qualidades. Então fui aos infantis do Boavista, às famosas captações com 500, 600, 1000 candidatos, onde fui um dos escolhidos! Fui um privilegiado porque iniciei a minha formação em relvado natural por ser infantil, o que acabou por ser um bom aditivo para o meu percurso enquanto como futebolista, o pior foram os anos seguintes onde treinamos no pelado… (risos)… FD: Qual o teu percurso como jogador e como treinador de futebol? MF: Enquanto jogador, iniciei no Boavista mas depois tive uma lesão num joelho que me obrigou a parar 3 anos, tendo perdido a fase dos iniciados e um ano de juvenil. Regresso, após novo período de captações no Salgueiros, ao escalão de juvenis, onde fomos campeões e subimos ao nacional com o Mr. Petrónio, homem de enorme importância na minha vida! Depois regressei ao Boavista para dois anos de junior, onde cheguei aos seniores e assinei um contrato profissional por três anos. No primeiro ano fui emprestado ao Dragões Sandinenses, no segundo ano vim para o Infesta e, no terceiro ano, um grande “revés” na carreira, comum a muitos jogadores daquela altura… Ter que cumprir serviço militar, em Belém, na Policia do Exército… Acabei por ser emprestado ao Mirandense, 2a Divisão Nacional, zona centro, num ano que em termos desportivos foi o pior ano que pude vivenciar. Apesar disso, foi, talvez, o ano em que socialmente mais me fez crescer, onde conheci pessoas fantásticas, que nas enormes adversidades foram incansáveis no auxilio aos jogadores, principalmente aos de “fora”!… E na vida, o melhor de cada um revela-se nas dificuldades, porque quando tudo está bem, são todos especiais e espectaculares, mesmo aqueles que se aproximam a bater nas costas e em silêncio desejam o nosso fracasso… Depois disso, tive a felicidade de regressar ao Infesta onde estive mais dez anos consecutivos! Uma década de 90 com feitos incríveis das nossas equipas nos campeonatos nacionais! Tenho uma carreira muito propensa a lesões, com 6 intervenções cirúrgicas! Todas ao serviço do F. C. Infesta!… Dava tudo em campo! Na décima época consecutiva, e após o risco de mais uma visita ao bloco operatório, ainda com contrato com o F. C. Infesta, fica decidido, cordialmente, que o melhor seria terminar a maravilhosa aventura que vivi no clube! Vou, após a saída, para Lousada, onde, curiosamente, terminamos a época em segundo lugar, logo atrás do Leixões! Uma excelente época! Depois fiz uma passagem pelo Leça e perto do final da carreira estive envolvido numa subida de divisão ao serviço do Amares, da AF Braga, e também com outra subida de divisão ao serviço do Padroense, onde reencontro aquele que havia sido meu treinador no F. C. Infesta durante tantos anos, o IMENSO Augusto Mata! Como treinador, trabalhei com infantis, iniciados, juvenis e juniores. Estive nos juniores do Infesta duas épocas e meia, muito por influência do coordenador geral da formação, Luis Ferreira, que a bom tempo me dirige o convite. Na temporada passada sou convidado para o C. F. São Félix da Marinha, já com a época em curso, numa realidade em que esta equipa estava em último lugar na tabela! Os jogadores fizeram uma recuperação notável! Aliás, a essa equipa o meu muito obrigado em nome da equipa técnica por tudo o que fizeram por nós! FD: Como conseguiste formar esta equipa técnica? MF: Olha, o Tininho era o meu recuperador físico nos anos de F. C. Infesta! Conheço o Tininho há quase 30 anos. O Tininho era para além do meu recuperador, o meu inspirador. Uma vez, já estava há uns anos no Infesta, eu desabafei com ele que estava cansado da rotina do trajecto para o treino… Ele falou comigo e perguntou se ia sempre pelo mesmo percurso e eu lá lhe respondi que sim, ia pela autoestrada e tal… ele disse-me uma coisa muito simples, “nestes anos, fazes sempre o mesmo percurso? Então vai por outra via, muda o trajecto e vais ver o que vai acontecer…”. Parece que renasci, parecia outra pessoa! Mas foi preciso fazer algo de diferente para obter um diferente resultado! Para alem disso, é uma pessoa com um conhecimento e um potencial enorme na área da fisiologia e do relacionamento humano! O Rafael conheci-o aqui, no Infesta, quando treinei os juniores, um ser humano magnifico, elemento da Faculdade de Desporto, com imenso conhecimento e competência! O Cafú conheci-o o ano passado no São Félix da Marinha, era atleta e vi um Cafú cansado e com vontade de desistir… Um feeling na altura fez sentir que ele tinha algo de especial e convidamo-lo para a equipa técnica. Não foi difícil a sua resposta, felizmente para nós, estando ele, curiosamente nesse