Entrevista: Bruno Costa

O novo treinador da equipa sénior de futebol, Bruno Costa, deu uma entrevista ao nosso site. Falou de si, da sua carreira enquanto jogador, daquilo que o move enquanto treinador e deixou antever que a tarefa de manter o Infesta na Divisão de Elite, não vai ser fácil, mas também não será impossível. Filipe Dias (FD): Quem é o Bruno Costa? Bruno Costa (BC): Sou pai de família, empresário e um iniciante a treinador. Neste momento, a minha empresa é a minha principal motivação, porque é aquilo que me sustenta e à minha família e também tenho orgulho naquilo que já consegui construir com ela. O treinador Bruno Costa, é um sonho, é algo que está ligado à paixão que sempre tive pelo futebol, obviamente que é algo que gostaria de no futuro, viver só disso, mas pela experiência que já tenho, sei que as coisas nunca são fáceis e que é muito difícil de um dia ter a oportunidade de poder ter uma vida estável, só à custa do futebol como treinador. De resto, sou uma pessoa igual às outras, dou muito valor à família, aos meus amigos, gosto muito de conviver com eles, tenho a minha filha que é o mais importante na minha vida e que faz com que “vá à luta todos os dias”, também é alguém que se não estiver bem, deixo tudo por causa dela. Considero-me uma pessoa de bem, tenho os meus princípios, que os defendo e que gosto de os ter, em todas as situações que abrace na vida. FD: Fala-nos um pouco do Bruninho e sobre a tua carreira como jogador? BC: A principal ideia que eu tenho é que podia ter feito uma carreira, diferente daquela que fiz. Não é uma carreira que possa dizer que tenho um grande orgulho nela, porque acho que falhei em momentos cruciais. Falhei no sentido em que não fui inteligente e perspicaz, numa altura inicial da carreira, pelos 23, 24 anos, foi preciso passar por uma situação traumática da minha vida, que foi a perda da minha mãe, para acordar e perceber, que a vida era muito mais que aquilo que eu vivia e que, relacionado com o futebol, eu tinha de fazer muito mais que aquilo a que estava habituado a fazer. Todas as épocas que fiz anteriormente a esse momento, considero que estive muito abaixo daquilo que poderia ter estado e sei que perdi essas épocas. Orgulho-me de depois dessa fase, ter dado a volta por cima e de a partir daí, a minha carreira foi subindo, depois tive duas lesões em que me obrigou praticamente a parar duas temporadas, lesionei-me numa fase em que estava em grande forma e só regressei na época a seguir onde comecei a jogar apenas em Fevereiro e depois, na fase final da carreira, a lesão que tive no Arouca em que aí não fui muito inteligente, onde deveria ter-me resguardado e não forçado, para estar disponível para a equipa e acabei por me prejudicar a nível pessoal. Obviamente que me orgulho de ter sido campeão nacional com 16 anos pelo Boavista, frente a uma equipa poderosíssima que era o Sporting, de ter sido Campeão Nacional da 2ª Divisão B pelo Arouca e de ter subido à 2ª Liga, de nesse período de ter tido uma influência directa nessa conquista e de ter deixado lá o meu nome e orgulho-me de em todos os clubes por onde passei, ter deixado uma boa imagem, amigos, mas considero que no geral, poderia ter tido uma carreira muito diferente do que a que fiz. FD: Sentes alguma mágoa por não teres jogado na 1ª Liga? BC: O facto de não ter jogado na 1ª Liga, é que me leva a pensar que em alguma altura da carreira, eu falhei. Não é arrogância da minha parte ou falta de humildade, mas estou convencido que tinha qualidade para pelo menos chegar lá. Mas sinto que perdi épocas muito importantes no início da carreira, como disse à pouco, em que eu andava à deriva e preocupava-me com coisas que não devia permitir. Perdi tempo e forças com coisas que não devia ter feito e isso fez com que não tivesse chegado à 1ª Liga. Só quando passei por esse momento traumático, que foi a perda da pessoa mais importante da minha vida, é que fui evoluindo, quer individualmente, quer na carreira, mas provavelmente também não cheguei lá devido às lesões que tive. Mas no fundo, penso que foi mesmo esse início de carreira a nível sénior que me fez perder essa oportunidade. FD: E como surge a carreira de treinador na tua vida, era já um objectivo teu? BC: Foi algo que eu também alimentei durante a minha juventude e tive sempre a curiosidade de experimentar. Quando eu regressei ao Infesta, em 2012, foi uma “exigência” minha, que pudesse começar a carreira de treinador e assim foi, iniciei na formação do Infesta, superando as expectativas que eu tinha e foi-se alimentando este gosto, esta vontade de prosseguir a carreira de treinador. FD: Quais são as tuas referências enquanto treinador? BC: São algumas, não tenho uma referência de excelência. Gosto dos mais conceituados e que conseguem impor a sua filosofia, Pep Guardiola, Jurgen Klopp, mas sinceramente, aprecio mais aquele treinador que consegue ter uma relação de proximidade com os jogadores como o Ancelotti, que tem títulos por todo o lado por onde passou e é um treinador que nunca ouvi um jogador a falar mal dele. Porque hoje em dia, da maneira como as coisas estão e mesmo ao nível onde nós estamos, é fácil “apanhar” pessoas que falam connosco sobre futebol, que percebem sobre futebol, que falam sobre a metodologia do treino, da sua concepção e que depois o que vai diferenciar é a forma como se vai relacionar com os jogadores. Obviamente que aprecio as qualidades de Jorge Jesus ou José Mourinho mas identifico-me muito mais com aquele treinador, que consegue ser um treinador ganhador, que no futebol, é isso